Para a religião, não importa de qual tipo, há um ideário de valores que preconizam o que é o certo e o errado, um sistema de referencias e crenças, absolutamente inquestionáveis. Quem não concorda, que vá procurar outra turma. Assim pode ser também em relação à preferência por determinado time de futebol ou partido político. Também essa postura “religiosa”, isto é, dogmática, pode ser utilizada em relação a uma teoria científica, crença, um amor, etc. O dogma é a certeza absoluta e inquestionável; não há espaço para a dúvida, a diferença. O ideal, nesses casos, é a igualdade de concepções e atitudes.
No fundo, temos uma tendência a eliminar a diferença ou pelo menos evitar percebê-la
Porém, o paradoxal disso tudo é que as descobertas da ciência, o aprofundamento dos sentimentos, a consolidação da maturidade brotam exatamente das incertezas, do que não é tido como certo e inexorável, das diferenças das percepções. A dúvida possibilita a abertura, a conquista de novos horizontes ou saberes. A certeza, o ponto final, fecha, limita e por isso nos aquieta como a tranqüilidade das águas perigosas.
A ancoragem na certeza pode decretar a falência de um relacionamento ou negócio, onde tudo já está supostamente conquistado e definido, tolhe a ampliação de um campo de saber, assim como limita os horizontes do prazer, pois restringe a exploração de outras possibilidades. Ah, a dúvida! Através dela é possível outra vivência: a da conquista, a do esforço no alcance de algum ideal, a construção de uma nova história, a busca por certezas, que por certo existem somente na nossa imaginação.
A dúvida pode ser uma usina de criatividade nos campos afetivos, sociais, econômicos, culturais e de toda a ordem. A dúvida como combustível, emissora de interrogações e de abertura de possibilidades!
Por: Návia T. Pattussi/Psicanalista/naviat@terra.com.br
Fonte: MARCOS A. BEDIN
MB Comunicação Empresarial/Organizacional
mb@mbcomunicacao.com.br
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